Gabriel Cohn
Diferenças finas. O que se pretenderá dizer com tal título, salvo algum preciosismo de linguagem? Bem feitas as contas, há mesmo uma exigência difícil embutida nisso. Pretende-se chamar a atenção de quem se dispuser a ler alguns dos textos que aqui se apresentam (são 18 ao todo, cobrindo 11 autores, com Weber e Adorno sempre presentes de alguma maneira sob o olhar severo de Marx e dialogando com Gramsci, Habermas, Tocqueville, Carl Schmitt, Durkheim, Simmel, Luhmann e Wright Mills) para uma maneira muito específica de decifrar um aspecto fundamental no tratamento de autores e obras. Consiste ele em pesquisar o modo de pensar que os distingue. Mais precisamente, consiste na capacidade, que todo pensador de qualidade busca exercer, de levar ao limite a sensibilidade para a percepção e a formulação dos problemas que importam para se aproximar daquilo que a realidade (social, no caso) não exibe sem mais. Não se resume em questão formal de estilo, mas daquilo que confere caráter próprio ao modo de formular problemas importantes. 10